terça-feira, novembro 27, 2007

A violação da lei por parte daqueles que deveriam pugnar pelo seu cumprimento

Fomos muito amigos e muito próximos também, mas a vida fez com eu na altura fosse estudar para Coimbra, tendo tu ido um ou dois anos mais tarde para Lisboa. Por isso, muitas vezes, passam-se anos que não nos vemos, no entanto sabemos ambos da nossa existência, só que desta vez é impossível ficar indiferente às notícias que me chegam do teu desempenho como Inspector-geral, da Administração Interna, sobretudo no que concerne à tua entrevista ao Expresso.

Meu “primaço”, corroboro completamente da tua perspectiva relativamente a alguma GNR militarizada, ou não vivesse eu em Seia e não tivesse eu, bem como muitos dos cidadãos senenses, conhecimento de muitas “cow-boyadas” que têm tido lugar na nossa santa terrinha. E mais não digo!

Lembravas tu que, "nos últimos dois anos, na GNR se registaram sete dos 10 mortos em perseguições", e atribuiste essa "patologia" ao "padrão militarizado de actuação" da Guarda, fruto do facto de os jovens oficiais, formados na Academia Militar, "olharem para o cidadão como o inimigo".

Pois, meu querido Tó Lima, por aqui também tem havido algumas situações constrangedoras, ainda que sem consequências físicas para os cidadãos; mas já ocorreram prejuízos materiais de automóveis desfeitos, (suportadas por todos nós) devido a perseguições. Mas não seria por isso que “o gato ia às filhós”. O que é mais grave, é a imagem pública e os prejuízos morais provocados pela GNR em cidadãos honestos, em pleno exercício das suas funções profissionais, decorrentes dessas “cow-boyadas” que referiste, por simples questões de estacionamento, pois que, como tu dizias: "o cumprimento da missão a qualquer preço pode agravar o sentimento de insegurança dos cidadãos”. E nesta matéria nem imaginas o que eu tenho para te contar…

Referias ainda que: "problemas mais graves temos na área da intervenção da GNR, são as perseguições policiais iniciadas por motivos que me parecem inadequados, como, por exemplo, por passar um sinal vermelho ou desobedecer a uma ordem de paragem numa operação 'stop'. Mais à frente sublinhavas: "há por aí muita 'cowboyada' de filme na mentalidade de alguns polícias".

Não poderia estar mais de acordo contigo “primaço”, pois esta gente, em pleno desvario quase irracional pode provocar situações irremediavelmente graves. De facto há muita intolerância e incompetência na relação das polícias com o cidadão.

Aliás o próprio presidente da Associação de Profissionais da Guarda, José Manageiro, acaba por ser o dirigente mais concordante com as tuas declarações. Para este dirigente, a GNR está hoje "pior do que há alguns anos", nomeadamente no "acentuar da vertente militar", que a "descaracteriza enquanto força de segurança".

Estou convicto que no nosso próximo encontro, lá para o Natal, vamos sentir o aperto de um abraço comum e “pôr a escrita em dia” com alguns casos paradigmáticos que por aqui se passam e que, pela sua peculiaridade, vão alimentar-nos mais “dois dedos de conversa”.


quinta-feira, novembro 22, 2007

Terra há só uma, a dos nossos netos!...


Acabo de receber través de um e-mail de um amigo, este pequeno filme animado, da organização internacional de conservação da natureza WWF, (World Wide Fund for Nature) que acho delicioso, pelo que gostaria de partilhar com todos vós.

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segunda-feira, novembro 19, 2007


O problema é que as suas infelizes decisões afectam a Vida no Planeta


Este meu post vem a propósito de uma notícia que referia que o presidente norte-americano, George W. Bush, vetou terça-feira passada uma proposta apresentada pelo um congressista democrata sobre financiamento de programas de educação, onde se incluía o ensino do português como segunda língua, tendo classificado a iniciativa como um «projecto esbanjador., referindo ainda que «o Congresso devia aos contribuintes esforços melhores».

Ora o Português é língua oficial de oito países e falado por mais de 230 milhões pessoas, sendo instrumento de comunicação e de trabalho nas mais diversas instâncias internacionais oficiais e, ainda, em várias ONG`s

Não ofende quem quer. Como poderia fazê-lo este tipo que é mesmo idiota, um imbecil analfabeto que não faz ideia que, mais de metade da América do Sul fala português, assim como é falado num significativo número de países africanos lusófonos. Eu quero acreditar que esta sua atitude advém da sua conhecida ignorância....

A nossa língua não precisa do poder dos dólares dos USA para ser falada globalmente. A verdadeira língua dos Estados Unidos, (ameríndio) é falada por muito pouca gente, estando resumida ao que resta das tribos indígenas dizimadas confinando-se unicamente às reservas índias resistentes ao verdadeiro holocausto americano de que ninguém fala. Esses sim, os verdadeiros nativos americanos sobreviventes!...

A verdade é que somos falantes da língua portuguesa, a 5ª língua mais falada na Terra e temos pena dos "índios" (verdadeiros americanos) por lá esquecidos nas reservas. É, seguramente, o imbecil mais perigoso da Galáxia e, para desgraça de todos nós, está na presidência do país mais poderoso do planeta. Enfim, o idiota analfabeto é uma criatura limitada, a quem não se pode exigir muito. O problema é que as suas infelizes decisões afectam muita gente neste desequilibrado mundo de interesses onde continua a imperar a lei do mais forte.



Ranking das línguas mais faladas no Planeta



1° - Mandarim

Língua oficial na: República Popular da China (Mandarim; Cantonês de facto, co-oficial em: Hong Kong e Macau), Taiwan (República da China) Singapura (Mandarim). 867 milhões de nativos.


2° - Hindu

Língua oficial em: Ilhas Fiji (Awadhi), Índia (Khariboli Nacionalmente e nos estados de Arunachal Pradesh, Andaman e Nicobar, Chandigarh, Chhattisgarh, Nova Delhi, Haryana, Himachal Pradesh, Jharkhand, Madhya Pradesh, Rajasthan, Uttar Pradesh, Uttaranchal; Maithili em Bihar). 440 milhões de nativos + 125 milhões como segunda língua = 565 milhões no total.


3° -Castelhano

Língua oficial na: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Dominica, El Salvador, Equador, Espanha, Estados Unidos (Novo México, Porto Rico), Guatemala, Guiné Equatorial, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela. 400 milhões de nativos + 50 milhões como segunda língua = 450 milhões no total.


4° - Inglês

Língua oficial em: África do Sul, Antígua e Barbuda, Austrália (incluindo estados e territórios da Austrália), Bahamas, Barbados, Belize, Botswana, Brunei, Camarões, Canadá (nacionalmente e em todas as províncias com exceção de Quebec), Dominica, Estados Unidos da América (não é oficial como língua nacional; oficial em alguns estados e territórios incorporados) , Filipinas, Gâmbia, Gana, Granada, Guiana, Ilhas Fiji, Ilhas Marshall, Ilhas Maurício, Ilhas Salomão, Índia, Irlanda, Jamaica, Kiribati, Lesoto, Libéria, Malawi, Maldivas, Malta, Micronésia, Namíbia, Nauru, Nigéria, Nova Zelândia, Palau, Papua Nova Guiné, Paquistão, Reino Unido (e em todos os territórios Britânicos e dependências da Coroa Britânica) , República Popular da China (Hong Kong), Ruanda, Samoa, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São Vicente e Granadinas, Serra Leoa, Seychelles, Singapura, Suazilândia, Tanzânia, Tonga, Trinidad e Tobago, Tuvalu, Uganda, Vanuatu, Zâmbia, Zimbabwe. 345 milhões de nativos + 200 milhões como segunda língua = 545 milhões no total.


5° - Português

Língua oficial em: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, República Popular da China (Macau), Goa (Índia), São Tomé e Príncipe, Timor-Leste . 210 milhões de nativos + 20 milhões como segunda língua = 230 milhões no total (sem contar 4 milhões do Galego)


6° - Francês

Língua nacional ou oficial na: Bélgica (Bruxelas e Valônia), Benin, Burkina Faso, Burundi, Camarões, Canadá (Nacionalmente e em New Brunswick, Quebec, e em territórios externos), Chade, Comoros, Congo, Costa do Marfim, Djibouti, Estados Unidos da América (Louisiana), Vanuatu, França (incluíndo os territórios externos), Gabão, Guiné, Guiné Equatorial, Haiti, Ilhas Maurício, Índia (distritos de Karaikal e Pondicherry), Itália (Vale de Aosta), Líbano, Luxemburgo, Madagáscar, Mali, Martinica, Mônaco, Níger, Reino Unido (Guernsey, Jersey), República Centro-Africana, Ruanda, Senegal, Seychelles, Suíça (Berna, Cantão de Friburgo, Cantão de Genebra, Jura, Neuchatel, Valais, Vaud), Togo . 100 milhões de nativos + 120 milhões como segunda língua = 220 milhões no total.


7° - Bengali

Língua oficial em: Bangladesh, Índia (Bengala Ocidental, Tripura). 171 milhões de nativos + contando 14 milhões de Chittagonian + 10,3 milhões de Sylheti = 195,3 milhões no total


8° - Russo

Língua oficial na: Abecásia (partes da Geórgia) , Belarus, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia, Transnístria (de jure parte de Moldávia) 145 milhões de nativos + 110 milhões como segunda língua = 255 milhões no total


9° -Japonês

Língua oficial no: Japão e Palau (Angaur). 128 milhões de nativos


10° - Alemão

Língua oficial na: Alemanha, Áustria, Bélgica (Cantão Ocidental), Itália (Tirol Meridional), Liechtenstein, Luxemburgo, Suíça (Aargau, Appenzell Exterior, Appenzell Interior, Basiléia-Campo, Basiléia-Cidade, Berna, Friburgo, Glarus, Lucerna, São Galo, Schaffhausen, Schwyz, Soleura, Zug, Zurique, Graubbden, Nidwald, Obwalden, Thurgau, Uri, Valais). 110 milhões de nativos (105 milhões de Alemão-Padrão, 5 milhões de Alemão-Suiço, 22 milhões como segunda língua = 132 milhões no total.






quinta-feira, novembro 15, 2007

O MINISTRO “XEROX”


Chegou ao poder sem que o eleitorado o escolhesse! Pior do que isso, contra a vontade do eleitorado, porque foi para lá pela mão de Durão Barroso que entretanto ganhara as eleições prometendo, durante a campanha eleitoral, não fazer coligações com ele.

Após a amostra de governação do euro-desertor Barroso, o menino Portas passava directamente para o (des)governo do menino-guerreiro Santana Lopes, onde continuaria a exercer de forma incompetente, o cargo de Ministro de Estado e da Defesa Nacional. Enquanto arrumava o gabinete, a criatura teria mandado copiar, (digitalizar) mais de 60 mil páginas de documentos antes de abandonar o cargo de ministro da Defesa Nacional, em Fevereiro de 2005.

A notícia, avançada na última edição do semanário “Expresso”, revelava que algumas das folhas copiadas estavam classificadas como “Confidencial” ou teriam referências ao “Iraque”, à “NATO” ou até aos “submarinos” que adquiriu. O acesso a estas informações, teriam tido lugar durante a consulta às páginas do Processo Portucale, onde algumas testemunhas revelavam que Portas pediu para digitalizar cerca de 62 mil páginas.

Entretanto, o ex-ministro e actual deputado pelo CDS-PP, garantia que apenas teria digitalizado, (e a gente acredita!) despachos e notas que escreveu enquanto esteve no CDS-PP e no Ministério da Defesa e que o elevado volume de fotocópias deve-se ao facto de escrever quase tudo o que diz. Notável!...

Como diria Narana Coissoró: “é estranho que, depois de sete anos no partido, Paulo Portas tenha ido para o Ministério da Defesa Nacional e tenha sentido necessidade de fotocopiar e digitalizar papeis no ministério»...

Entretanto, a Direcção-Central de Investigação e Acção Penal adiantava que Paulo Portas teria sido o único ministro a fotocopiar documentos do gabinete. Luís Nobre Guedes, Telmo Correia e Nuno Morais Sarmento, por exemplo, também o fizeram. Esta Direcção justificava ainda que não tinham sido apurados indícios nem propósito de divulgação de documentos. Recorde-se que Paulo Portas nunca foi ouvido no âmbito do processo «Portucale» pelos investigadores. Não há dúvida que neste (des)governo do menino-guerreiro foi um fartar vilanagem...

Numa medida sensata, o Ministério Público, estranhando o procedimento do ex-ministro, decidia investigar o motivo que levou o menino Portas a copiar o arquivo do ministério. No entanto, constata-se, uma vez mais, que não foi dado seguimento a qualquer procedimento criminal. Fantástico!..

Resumindo e concluindo, regista-se que o menino Paulinho, feito ministro, copiou, milhares de documentos. Diz o menino que não eram confidenciais. Que não eram secretos, diz ele e nós acreditamos porque acreditamos no bom senso das instituições e ninguém em perfeito juízo teria passado documentos importantes ao menino ministro.

O Estado, ou seja, todos nós, temos o direito de saber o que essa criatura, a quem nem sequer elegemos, mas a quem pagámos, (esperemos que para nunca mais) para ser ministro de Estado e da Defesa tivesse levado para casa, para uso privado e que era e é nosso.

Esta situação coloca-o, seguramente, entre o roubo e o abuso de confiança. Ou não será?

Apesar das inúmeras trapalhadas em que tem estado envolvido, Paulo Portas tem sempre passado incólume pelas malhas processuais das averiguações.

Aguardemos, uma vez mais, o evoluir dos acontecimentos…



quarta-feira, novembro 14, 2007

A SEMANA NEGRA DAS ESTRADAS PORTUGUESAS


A maior responsável da sinistralidade em Portugal é a falta de civismo

Portugal apresenta uma sinistralidade anormalmente elevada quando comparada com outros países ditos civilizados.

É um problema sistematicamente trágico e triste.

Ano após ano, os lamentos serão semelhantes, as palavras de luto repetir-se-ão e, ao mesmo tempo, serão apontados os mesmíssimos culpados, sem que nada aconteça...

Até parece que somos incapazes (o que é mentira) de, descortinarmos uma forma de resolver este problema. Problema este que todos nós sabemos qual é e como se chama: IMPUNIDADE!...

O nosso maior problema, todos nós sabemos, é, seguramente, o sentimento de impunidade que se respira perante todos aqueles causadores de acidentes, por desrespeitarem de forma grosseira as regras básicas do código da estrada. Pois se há automobilistas que têm comportamentos de risco e causam vítimas, também há peões que, pela sua irresponsabilidade, não só sacrificam a própria vida como tornam a vida dos outros num verdadeiro inferno.

Estou em crer que após os exames de condução, nem toda a gente estará habilitada a conduzir um automóvel. Apesar disso, em Portugal, a má condução não constitui infracção, empurrando-se a culpa do acidente para o excesso de velocidade e, caso este não se prove, a culpa morrerá, uma vez mais, solteira… e o condutor impune continuará a deixar o rasto da sua má condução, ou falta de civismo.

Todos nós no dia-a-dia nos apercebemos que nas nossas estradas circulam um significativo número de condutores que causaram acidentes e mortes por simples inépcia e que continuam tranquilamente a conduzir, mas nem por isso se actua vigorosamente sobre estes eminentes causadores de sinistralidade.

As estradas nacionais estão cheias de condutores que causaram acidentes e mortes por simples inépcia e que continuam tranquilamente a conduzir, mas também de peões que pela sua atitude irresponsável não circulam nas ruas com prudência, cuidado e a necessária precaução para salvar a sua própria integridade física. Nestes casos o Código da Estrada devia ser aplicado a todos os cidadãos com igual rigor.

Apesar de tudo a maior responsável da sinistralidade em Portugal é a falta de civismo do povo português que tem, seguramente, a sua faceta mais dramática na estrada.



terça-feira, novembro 13, 2007

(clique na imagem para ouvir uma das mais belas canções francesas de todos os tempos)

Recordando Léo Ferré


Léo Ferré, libertário assumido, nasceu no principado do Mónaco, em 24 de Agosto de 1916.

Enquanto músico foi autor, compositor e intérprete de um grande número de canções cujas letras revelavam um de elevado nível poético. A sua vasta obra reflectia um inconformismo radical de natureza anarquista, pelo que a qualidade das letras e das músicas aliadas a uma interpretação notável situaram-no entre os maiores vultos da canção francesa.

Após os primeiros estudos na Itália, partiu em 1935 para Paris, a fim de estudar direito. De volta ao Mónaco, começou a compor poemas, cantou nos cabarés, descobriu Charles Trenet e até se encontrou com Edith Piaf, que o aconselhou a apresentar-se em Paris.

Durante algum tempo manteve-se afastado dos acontecimentos políticos, passando a frequentar progressivamente os meios libertários, antes de ingressar no Partido Comunista Francês, que durante toda a vida consideraria um partido de referência.

Os acontecimentos de Maio de 68 na França marcam Léo Ferré.

Assim, no início de 69, lança um disco inspirado nessa marcante agitação: "Comme une fille", "L'été 68" e "Les Anarchistes". Foi ainda autor de canções sobre textos de Baudelaire e Louis Aragon, utilizou também poemas de outros poetas como: Ronsard, Apollinaire, Rimbaud, entre outros.

Teve encontros com alguns de notáveis da música francesa da época entre eles, Jacques Brel e Georges Brassens, considerados pilares da canção francesa.

Viveu no Mónaco, Paris e Toscânia – Itália, onde terminou os seus dias, tendo falecido em 14 de Julho de 1993 com 77 anos.

segunda-feira, novembro 12, 2007

(clique na imagem para ter acesso ao vídeo do acontecimento)


VELHOS E NOVOS “CAUDILLOS” DA AMÉRICA DO SUL

Na imagem pode ver-se a agonia da Ditadura Cubana aliada à grave enfermidade da Democracia Venezuelana.

Ambas precisam de tratamento intensivo; mas parece que não haver outro remédio senão uma intervenção radical dos respectivos povos através do voto, se é que nos tempos mais próximos esses povos poderão, efectivamente, usar essa arma para eleger os seus líderes.

Na última cimeira Ibero-Americana pudemos assistir a uma lição de Democracia dada por Zapatero aos pequenos”caudillos” sul-americanos bem como ao ralhete do Rei Espanhol que perdeu a paciência perante o”discurso” dos pequenos "caudillos" da América do Sul.

Como são diferentes as realidades democráticas em ambos os continentes.


As novidades do OE

De facto houve novidades no debate do Orçamento!

As novidades do Orçamento de Estado para 2008, anunciadas centram-se na área da saúde.

Soubemos através da intervenção do primeiro-ministro que o Governo, a partir do próximo ano, irá incluir no Serviço Nacional de Saúde mais áreas de intervenção. Assim o SNS passará a integrar um Programa de Saúde Oral de intervenção e prevenção da cárie dentária, destinado a crianças entre os seis e os 12 anos que irá ter lugar nas escolas e, ainda, um Plano Nacional de Vacinação, contra o cancro do colo do útero, assegurando, registe-se, que o acesso à vacina não depende das condições económicas das respectivas famílias. Será assegurada a cobertura de 65 mil grávidas e serão ainda aumentados os apoios aos idosos beneficiários do Complemento Solidário na aplicação de próteses. Sócrates referiu ainda que espera o parecer de uma comissão técnica sobre as condições de aplicação da vacina contra o cancro do colo do útero.

É muito importante que os portugueses saibam que o seu trabalho está a valer a pena para que o país tenha as contas públicas em ordem disse Sócrates logo após a aprovação da proposta de Orçamento em Conselho de Ministros.

Na proposta, o Governo revê em alta taxa de desemprego em 0,4 pontos percentuais (para 7,7 por cento) e revê em baixa em 0,2 por cento a taxa de crescimento económico, para 2,2 por cento.

Entre outros dados, a proposta de Orçamento prevê que em 2008 o Estado tenha um encaixe de 900 milhões de euros com privatizações e reduza o saldo da segurança social em 1,3 por cento (face à estimativa de 2007) para 696,7 milhões de euros.

Vamos aguardar com legítima expectativa.



Não há verdadeira democracia sem contraditório!...

Quem assistiu ao debate sobre o Orçamento de Estado na Assembleia da República não pode ficar se não completamente estarrecido com a escassez de debate político, com a fragilidade da direita e da esquerda e, como também com a nulidade da bancada do partido do governo.

Então a “oposição” de direita, depois de dois anos, o que consegue arranjar são líderes derrotados? É isto poderá ser considerado renovação? Esta rapaziada que se senta agora na primeira fila do Parlamento é, de facto uma autêntica frustração: Santana, (Menezes) e Portas são infelizmente, uma tragédia para a direita que está aí para durar.

Por outro lado constata-se uma certa esquerda representada pelo ultrapassado PCP decrépito. Os “paleolíticos à la gauche” representantes (legítimos?) de uma esquerda arcaica e esclerosada ainda não perceberam que os tempos mudaram muito e a sociedade mudou com eles e os modelos mudaram também. Uma esquerda alienada a um passado que de glória teve apenas a memória nostálgica dos deleites de um poder efémero provocado pelo fracasso do próprio modelo colectivista, alheando-se por isso do mundo real e dos novos tempos. Com um discurso repetitivo, (negligenciando deveres exigem apenas direitos) gasto e extemporâneo, alimentado nos últimos tempos pelas suas recentes derivas estalinistas que nem os seus poupam. Resta-nos, finalmente, uma esquerda intelectualmente folclórica, corporizada pelo Bloco de Esquerda. Uma Esquerda lírica, utópica e irrealista, mas também hilariantemente demagoga.

Continuo a acreditar numa Democracia Parlamentar autêntica. E não há Democracia sem um verdadeiro contraditório, protagonizado por uma Oposição forte e saudável. Actualizem-se, renovem-se, apanhem ar fresco, abram as mentes e sacudam o pó.

A esquerda moderna está aí corporizada pelo P.S. Habituem-se!...


O Debate do Orçamento

Sinceramente, até eu estava à espera de melhor... o homem parece que ainda não aceitou a derrota... Parecia um louco obcecado...

Santana Lopes continua o que sempre foi. Adora o palco, mas detesta fazer o trabalho de casa. Por isso, daria mais resultado se estivesse voltado para as actividades folclóricas, mas nunca para governar. Mas afinal o político carneirista do passado fala em nome do PSD ou o defunto PPD? Santana será bom no jet sete, ou para a fotografia, mas como politico deixa muito a desejar pois fica sempre mal na fotografia....

O Portas ainda não percebeu que discursar aos gritinhos, num chorrilho corriqueiro, já não cola?

Um verdadeiro flop. Foi com alguma perplexidade que viu o seu esmagamento às mãos do Sócrates depois de tanta publicidade à sua volta, admito que possa ter algum grau de inteligência grande, mas na prática nunca passou de um Bluff. Até meteu dó o seu desempenho no frente a frente com o Sócrates, o PSD tem de meditar....

E o Jerónimo ainda continua a acreditar que mais de 90% dos portugueses são «tapadinhos» e ou reaccionários? Um homem verdadeiramente deprimido e deprimente…

Quanto ao Francisco Louça, desta vez, esteve bem… ao desejar que o Sócrates viva até aos 140 anos… seria um bom presságio para Portugal vir a ser o país mais próspero e desenvolvido do mundo, digo eu…

Foi um debate fraquíssimo. Ridículas alusões ao passado. O Sócrates também podia ter tentado fugir a isto mas preferiu atacar antes que o atacassem. Enfim, o PSD está no fundo outra vez. É bem feito para os que criticavam o baixinho e disseram que isto era para dar uma pedrada no charco. Aí está a pedrada a fazer saltar lama por todos os lados. E isto ainda não é nada. O rapazola do jet-set ainda agora começou a abrir o livro. O triste é que continuamos sem oposição em Portugal...

segunda-feira, novembro 05, 2007

Guernica


O outro lado da guerra civil espanhola

Olhar para Guernica é partilhar o horror que Picasso sentiu há cerca de 60 anos perante as imagens da destruição daquela localidade. Olhar para “Guernica” é partilhar o horror da destruição da cidade basca, da violência e morte que a guerra sempre significa.

Guernica, pequena cidade capital da província Basca, a qual a 26 de Abril de 1937 foi alvo de bombardeamentos por parte de aviões alemães, (aliados nazis) por ordem do General Franco.

Para a estatística fica o resultado dum bombardeamento devastador. Uma comissão de inquérito formada após a conquista da cidade pelas forças de Franco revela que só 10% das construções não sofreram danos. Dos seus cerca de 7000 habitantes, cerca de1600 foram mortos e cerca de900 ficaram feridos.

Duvido que alguma destas vítimas venha, algum dia, a ser beatificada pelo Vaticano, sobretudo, porque acredito também que nenhuma delas o desejaria!

domingo, novembro 04, 2007

(para mais informação sobre "o Franquismo" clique na imagem)


Cristo não tem culpa mas a hierarquia desta Igreja Católica também não ajuda muito.



Beatificação (política) de elementos da Falange mortos na Guerra Civil de Espanhola


Foi a maior beatificação jamais realizada pelo Vaticano.

Ao todo, e duma só vez, 498 mártires falangistas da Guerra Civil de Espanhola elevados à categoria de beatos…

Ás vezes as beatificações são pouco santas. Basta lembrar que o anterior Papa converteu em santo, um religioso Croata que apoiou as SS e incentivou ao extermínio de sérvios, judeus e ciganos.

Por outro lado, todos os documentos históricos provam a cumplicidade de Pio XII, o Papa que habitava o Vaticano durante a Segunda Guerra Mundial, com os nazis. Os tempos eram difíceis, mas o facto do representante de Cristo na Terra não ter levantado sequer a voz contra “a solução final,” tornou-o cúmplice dos horrores do holocausto. O seu silêncio sobre este pesadelo foi, aliás, como se recordarão, objecto de um recente pedido de desculpas do Papa João Paulo II.

Cristo não tem culpa, mas a hierarquia da Igreja não ajuda muito.

Este Papa, Bento XVI beatificou gente só de um dos lados da guerra civil espanhola. Ele há cada coincidência… E logo na mesma altura que em Espanha começa a levantar-se o véu sobre os crimes do regime franquista, 32 anos após a ditadura, “a Lei da Memória Histórica" que prevê, entre outras medidas, a reabilitação das dezenas de milhares de vítimas da ditadura, em especial da guerra civil, assim como a remoção dos símbolos franquistas dos espaços públicos.

“A Lei da Memória Histórica” vinha sendo discutida há muito tempo, quando as beatificações foram marcadas, a contestação de sectores de extrema-direita a uma lei que condenasse os crimes de Franco e reabilitasse gente morta pelo ditador já acontecia também há já algum tempo. As beatificações são, portanto, uma coincidência difícil de digerir, por vários motivos; o maior de todos é, talvez o facto de, após terminada a guerra civil, os franquistas, vencedores, terem submetido a duvidosos “julgamentos” milhares de vencidos, fuzilando mais de 50 mil republicanos e, mandando para a prisão milhares de outros que nunca terão qualquer direito de reabilitação ou julgamento justo do Vaticano.

Tratou-se, portanto, de uma beatificação política supostamente religiosa presidida por um religioso ibérico, português, D. António Saraiva Martins.

Este Papa Bento XVI que, ao que dizem, foi membro da juventude hitleriana, (a única atenuante é que a juventude hitleriana era administrativamente obrigatória) deveria, de facto, ter mais cuidado com a sua agenda religiosa (política), mas também com a "memória histórica".


(para ler a notícia clique na imagem)




E diziam algumas Almas Pias: coitadito do Marques Mendes…


Como é possível haver cidadãos, com uma visão tão romântica do assunto e ao mesmo tempo tão ingénuos nesta matéria?...

Porque será que o pequeno político desempregado, logo reformado e imediatamente empregado, não prescinde das altas mordomias da sua recém-aposentação? Ou então, neste país de desempregados, não se deixa que alguém, verdadeiramente desempregado, ocupe o "posto de trabalho".

Com os anos que este político esteve "empregado" no Parlamento era capaz de ser um exercício interessante saber quanto foi que este “trabalhador” recebeu de subsídio de reintegração… Ora se foi de imediato integrado na administração de uma empresa, apesar de privada, o subsídio de integração deixará de ter sentido, ou não? É ou não é promíscua toda esta novela entre partidos políticos e empresas?

Isto é apenas uma pequena divagação para que alguém investigue e nos fale do produto da sua investigação nesta matéria...

Como é que este país poderá crescer com mentalidades tão deprimentes dos seus cidadãos que deveriam usar mais frequentemente os seus direito de indignação.

Indignem-se!... E, em vez de terem pena dos políticos que nos desgovernam tenham juízo e indignem-se caramba!... Afinal somos nós quem paga todas estas mordomias e não se me consta que os políticos tenham tido alguma vez pena daqueles que, com os seus impostos, lhe proporcionam estas reformas douradas.

A única coisa de jeito que se retira da citada notícia é que Marques Mendes, aos 50 anos, conseguiu finalmente ter profissão…


O calvário dos docentes portugueses

(na visão de Maria Filomena Mónica*)


Relativamente à situação que se vive no nosso sistema de ensino, não resisti em partilhar convosco - com a devida vénia - um artigo de Maria Filomena Mónica publicado, em dia de Todos-os-Santos, no jornal "O Público"


“Deixem os professores em paz”

“Um professor precisa de uma sólida preparação de base, prestígio junto da comunidade e autonomia de acção. Não conheço muitos professores do ensino básico e secundário, mas o contacto que, ao longo dos anos, venho mantendo com alguns e o facto de ter netos a frequentar a escolaridade obrigatória permite-me ter uma ideia mínima do que se passa nas escolas. Aliás, se não me posso pronunciar com mais profundidade sobre estes graus de ensino não é responsabilidade minha, mas das leis que o Ministério da Educação promulga.
Há quatro ou cinco anos, ofereci-me para, durante um ano lectivo, leccionar História em qualquer grau de ensino não superior, coisa que um jurista do ministério me explicou ser impossível, por ter "habilitações a mais". O meu plano era analisar o ambiente de uma escola da periferia de Lisboa com o objectivo de, no final do ano, escrever um livro. Pelos vistos, faltava-me percorrer o calvário a que estes docentes são sujeitos.

É fácil deitar a culpa dos males do ensino para cima dos professores. No sossego do lar, eu própria já o fiz, mas as coisas chegaram a um ponto que o ataque a esta classe, especialmente se vindo do ministério, é indecoroso. Para se ser bom docente, são precisas três coisas: uma sólida preparação de base, prestígio junto da comunidade e autonomia de acção. A isto pode juntar-se a paixão pelo que se lecciona, um ideal que nem todos podem atingir. Ora que vemos? O Estado prepara mal os docentes (obrigando-os a frequentar cursos mal estruturados e estágios baseados em cursos recheados de jargão inútil), mina o seu status profissional e pretende regulamentar tudo o que se passa na sala de aula. Não estou a falar do curricula, que, esse sim, compete ao poder central elaborar, mas das centenas de despachos normativos, regulamentos e grelhas que atulham as caixas de correio das escolas. Depois de lhes ter dado uma educação deficiente, de ter transformado a sua carreira num pesadelo, de lhes ter retirado a possibilidade de inovar, o Estado dá-se ao luxo de os olhar com desconfiança.

Estou consciente de que, como em todas as profissões, há ovelhas ranhosas dentro da classe. Mas este problema só pode ser resolvido por uma direcção escolar composta de forma diferente e por um sistema de ensino mais flexível do que aquele que existe. Para mal dos nossos pecados, nenhum governo teve coragem para alterar o esquema de organização das escolas, muito menos para deitar abaixo o bloco monolítico que para aí anda a cambalear. Um director empenhado fará sempre a diferença. Tendo começado bem, a actual ministra derrapou e o primeiro-ministro lembrou-se de usar o velho truque de tentar isolar o sindicato das suas bases. Jamais defendi actuar este de forma imaculada - considero até que a maior parte das suas ideias é errada -, mas a degradação do ensino não é fundamentalmente culpa sua, uma vez que o sindicato só interfere porque o poder o deixa. Finalmente, a aparição, no dia 8 de Outubro, de polícias à civil na sede do sindicato na Covilhã, de onde levaram documentos relativos a uma anunciada manifestação contra o engenheiro Sócrates é inadmissível. Só um país apático aceita as conclusões idiotas que, após um chamado "inquérito", o Governo tornou públicas.

Deixo de lado as paranóias do primeiro-ministro para me centrar no tema deste artigo. Para além de terem de leccionar programas imbecis, de passarem a vida a girar de uma escola para outra, de serem sujeitos a avaliações surrealistas, os professores são obrigados a aturar alunos malcriados. Há tempos, um professor contou-me ter sido agredido por um aluno de 17 anos, tendo-me em seguida explicado que decidira não responder à letra ao matulão, porque isso implicaria um processo disciplinar contra ele, docente, e não contra o aluno. Mas não é apenas a violência, mas a apatia que mina a escola. Recordam-se daquela reportagem da RTP1, em que se via uma turma onde, farta de ouvir a lição, uma miúda se punha a varrer o chão? É com isto que, dia após dia, após dia, muitos docentes se defrontam.

Há 30 anos, quando os meus filhos entraram para o ciclo preparatório (actuais 5.º e 6.º anos), numa escola pública (a Manuel da Maia), ao lado do Casal Ventoso, quase todos os alunos pertenciam à burguesia. O ambiente que ali se respirava reflectia a cultura que as crianças traziam de casa: mesmo quando não livresco, o ethos era hierárquico. Com a evolução da sociedade portuguesa - e não o devemos lamentar - tudo isto mudou. Muitos dos alunos provêm agora de meios sócio-económicos baixos e são fruto de gerações de analfabetos. É com crianças educadas à base de telenovelas e de "saberes" aprendidos na rua que os professores têm de lidar. Como se isto não bastasse, a escola é forçada a desempenhar funções que, em princípio, lhe não competiria, tais como cuidar de miúdas que engravidam aos 13 anos e de rapazes que consomem drogas.

Não quero pensar no que é a vida de uma jovem, com filhos pequenos, que diariamente tem de fazer quilómetros, a fim de chegar ao estabelecimento escolar para o qual foi "destacada" - só o termo me horroriza! -, onde é obrigada a enfrentar crianças para quem o ensino é uma maçada. Em geral, sou pouco condescendente com as "baixas" justificadas por atestados que confirmam doenças psíquicas, mas, no caso dos professores, tenho de abrir uma excepção. Só no último mês, deparei-me com duas professoras que se tinham ido abaixo. Nenhuma ensinava, repare-se, em zonas socialmente turbulentas: uma leccionava numa aldeia perto de Viseu, a outra em Évora. O que as afectara fora a ausência de independência dentro da sala de aula: ambas se sentiam marionetes numa peça que não tinham escrito. Sem programas bem feitos, sem manuais decentes, sem incentivos para se actualizarem, a vida dos professores transformou-se num inferno”.

*Professora universitária – Historiadora




POR INCRÍVEL QUE PAREÇA…



Nunca vi como hoje os professores a fazerem um esforço enorme e desgastante.

Trabalham imenso, como não se via antes. Procuram ser bons profissionais e, no entanto, as coisas estão cada vez piores. Não será tempo de se ir procurar encontrar solução para o problema do sistema educativo noutro lado em vez de estar sempre a culpabilizar quem tanto se esforça?

Eu não tenho dúvidas de que com medidas como este estatuto do aluno as coisas poderão vir a piorar ainda mais. E por muito que as "estatísticas" venham mostrar que o sucesso está a aumentar, há uma prova dos nove que mostra a realidade tal como ela é: a comparação dos conhecimentos dos estudantes portugueses médios com os filhos dos estrangeiros que cá trabalham. E aí é como na União Europeia, estamos cada vez mais longe. Que será destes miúdos quando, num mundo cada vez mais pequeno e global, tiverem de competir com outros de outros países por um emprego?

Como compreender que alunos romenos, moldavos, entre outros, saibam mais de Língua Portuguesa que os próprios portugueses, ou de História de Portugal? O que vai ser preciso para recuperar esta gente irresponsável e negligente que se esqueceu que além de direitos têm deveres para com eles próprios, para com a família e para com a sociedade e o país?

E hoje a maioria dos pais não tem tempo, nem formação humana para ajudar os filhos a crescerem e a criarem bons hábitos. Os próprios pais nem têm tempo para se dedicarem um ao outro, quanto mais "aturar" as criancinhas!

Os grandes problemas como a droga, a vadiagem e até a incapacidade de inserção social deve-se ao facto dos pais não "perderem" tempo com os filhos a falar com eles a ajudá-los e a encaminhá-los.
É um fenómeno dos nossos tempos em que os homens se perdem com o futebol e as mulheres com as telenovelas. E ainda o facto de alguns terem que trabalhar bastante para poderem manter um bom nível de vida social, outros há que nem já com isso se preocupam…

A grande aposta deveria ser quanto a mim, voltar a conferir prestígio à Escola, e aos professores, começando por lhes reforçar a autoridade, depois será uma questão de tempo. Introduzir na remuneração dos professores, prémios pelo desempenho. Conferir maior autonomia financeira ás escolas, nomeadamente no reforço da segurança de professores e alunos face a actos de vandalismo, melhoria do equipamento e na aposta de um projecto Educativo mais ambicioso, talvez por aí, os resultados começassem a aparecer.

De uma coisa eu não tenho dúvida, esta equipa do ministério não está a ajudar nada nesta matéria. É um desabafo, mas eu e os meus colegas professores gostávamos de nos sentir incentivados e apoiados, pela hierarquia do ME, nesta tarefa cada vez mais difícil de preparar os HOMENS de amanhã. Gostava de sentir que eles vão na mesma direcção que nós que nos ajudassem a lá chegar. E não é que, por incrível que pareça, sinto exactamente o oposto!...




sábado, novembro 03, 2007

A Sociedade, a Escola e o aluno como futuro cidadão…

Tão importante quanto o estatuto do aluno talvez fosse a aprovação de um estatuto para os Pais e Encarregados de Educação.



A vida não pára! As sociedades evoluem na directa proporção em que os modelos de desenvolvimento o permitem e a instituição Escola, assim como outras instituições, não são mais que o reflexo dessa própria sociedade e do modelo de desenvolvimento por ela adoptado.

É desejável que da Escola saiam cidadãos livres, responsáveis, autónomos que possam contribuir para a evolução dessa mesma sociedade Cada vez mais justa, responsável e sabedora.

É urgente a construção de uma sociedade de verdadeiros CIDADÃOS, de pessoas capazes de assumir as suas próprias responsabilidades, de evoluir por elas, e com elas, de participar e de compreender em tudo aquilo que se passa à sua volta. Uma sociedade de pessoas, competentes, sabedoras, cultas e livres em vez de uma sociedade de cidadãos cinzentos, conformistas e vitimizados pelos mais diferentes motivos.

Na sociedade actual o tipo de educação para a liberdade que vejo perder-se hoje em dia, nos filhos de muitas famílias que chegam à escola imbuídos numa cultura orientada predominantemente pelos direitos esquecendo completamente os deveres.

Tentando navegar no sentido de uma cultura de responsabilidade a Escola têm tentado, e muitas vezes conseguido, dar algumas respostas apesar dos escassos meios e do pouco apoio e exígua capacidade de mobilização das respectivas Comunidades Educativas.

Muitas vezes, a ausência dos pais no processo educativo dos filhos é um dos traços que mais marcam negativamente o actual sistema de ensino em Portugal.

Uma boa parte das famílias está apenas interessada em que os filhos tenham notas positivas independentemente dos conhecimentos que os filhos obtenham. Verificando-se até a existência de famílias que fazem pressão para que os filhos sejam aprovados, ainda que não o mereçam.

Outras famílias de determinados grupos sociais e étnicos são mesmo responsáveis pelo abandono escolar; seja porque não valorizam a escola para obterem deliberadamente proventos da exploração do trabalho infantil; seja porque não dão valor ao ensino dos filhos ou, seja ainda, como sucede com algumas famílias de etnia cigana que entendem que as raparigas não precisam de estudar para além da antiga quarta classe.

Toda a criança necessita do exemplo dos adultos para crescer e se fazer cidadão responsável. Quem poderão ser esses adultos senão os próprios pais, que afinal são os seus primeiros professores?

Pergunta-se: afinal o que desejamos que o aluno, o futuro cidadão aprenda? Nesta matéria parece não haver qualquer dúvida: sabedoria, competência, liberdade e responsabilidade.

Sabedoria e Competência no sentido da capacidade de aprender e da obtenção do conhecimento, bem como da aplicação do que aprendeu, sendo ainda capaz de o fazer opções de forma autónoma.

Liberdade no sentido de identificar que tem opção de escolha de a exercer e de se responsabilizar por elas. Apesar do sentido de responsabilidade parecer cada vez mais distante da dura realidade do dia-a-dia...

Ao professor, na Escola, compete-lhe facilitar a aprendizagem dos seus alunos fornecendo-lhes conhecimento, motivando-os para que eles se interessem pela aprendizagem e aquisição de competências julgadas essenciais a novas aprendizagens, como à construção de um verdadeiro cidadão.

E o papel dos pais? Aos Pais cabe um papel fundamental criando nos seus filhos hábitos de trabalho, princípios de educação e o gosto por aprender, porque aprender vale muito a pena!...

É tempo de deixar de ilibar os pais, responsabilizando-os pelo comportamento dos filhos e exigindo-lhes uma maior participação cívica no processo de ensino-aprendizagem e, sobretudo, na formação do cidadão do futuro.

Tão importante quanto o estatuto do aluno talvez fosse a aprovação de um estatuto para os Pais e Encarregados de Educação.