sábado, novembro 03, 2007

A Sociedade, a Escola e o aluno como futuro cidadão…

Tão importante quanto o estatuto do aluno talvez fosse a aprovação de um estatuto para os Pais e Encarregados de Educação.



A vida não pára! As sociedades evoluem na directa proporção em que os modelos de desenvolvimento o permitem e a instituição Escola, assim como outras instituições, não são mais que o reflexo dessa própria sociedade e do modelo de desenvolvimento por ela adoptado.

É desejável que da Escola saiam cidadãos livres, responsáveis, autónomos que possam contribuir para a evolução dessa mesma sociedade Cada vez mais justa, responsável e sabedora.

É urgente a construção de uma sociedade de verdadeiros CIDADÃOS, de pessoas capazes de assumir as suas próprias responsabilidades, de evoluir por elas, e com elas, de participar e de compreender em tudo aquilo que se passa à sua volta. Uma sociedade de pessoas, competentes, sabedoras, cultas e livres em vez de uma sociedade de cidadãos cinzentos, conformistas e vitimizados pelos mais diferentes motivos.

Na sociedade actual o tipo de educação para a liberdade que vejo perder-se hoje em dia, nos filhos de muitas famílias que chegam à escola imbuídos numa cultura orientada predominantemente pelos direitos esquecendo completamente os deveres.

Tentando navegar no sentido de uma cultura de responsabilidade a Escola têm tentado, e muitas vezes conseguido, dar algumas respostas apesar dos escassos meios e do pouco apoio e exígua capacidade de mobilização das respectivas Comunidades Educativas.

Muitas vezes, a ausência dos pais no processo educativo dos filhos é um dos traços que mais marcam negativamente o actual sistema de ensino em Portugal.

Uma boa parte das famílias está apenas interessada em que os filhos tenham notas positivas independentemente dos conhecimentos que os filhos obtenham. Verificando-se até a existência de famílias que fazem pressão para que os filhos sejam aprovados, ainda que não o mereçam.

Outras famílias de determinados grupos sociais e étnicos são mesmo responsáveis pelo abandono escolar; seja porque não valorizam a escola para obterem deliberadamente proventos da exploração do trabalho infantil; seja porque não dão valor ao ensino dos filhos ou, seja ainda, como sucede com algumas famílias de etnia cigana que entendem que as raparigas não precisam de estudar para além da antiga quarta classe.

Toda a criança necessita do exemplo dos adultos para crescer e se fazer cidadão responsável. Quem poderão ser esses adultos senão os próprios pais, que afinal são os seus primeiros professores?

Pergunta-se: afinal o que desejamos que o aluno, o futuro cidadão aprenda? Nesta matéria parece não haver qualquer dúvida: sabedoria, competência, liberdade e responsabilidade.

Sabedoria e Competência no sentido da capacidade de aprender e da obtenção do conhecimento, bem como da aplicação do que aprendeu, sendo ainda capaz de o fazer opções de forma autónoma.

Liberdade no sentido de identificar que tem opção de escolha de a exercer e de se responsabilizar por elas. Apesar do sentido de responsabilidade parecer cada vez mais distante da dura realidade do dia-a-dia...

Ao professor, na Escola, compete-lhe facilitar a aprendizagem dos seus alunos fornecendo-lhes conhecimento, motivando-os para que eles se interessem pela aprendizagem e aquisição de competências julgadas essenciais a novas aprendizagens, como à construção de um verdadeiro cidadão.

E o papel dos pais? Aos Pais cabe um papel fundamental criando nos seus filhos hábitos de trabalho, princípios de educação e o gosto por aprender, porque aprender vale muito a pena!...

É tempo de deixar de ilibar os pais, responsabilizando-os pelo comportamento dos filhos e exigindo-lhes uma maior participação cívica no processo de ensino-aprendizagem e, sobretudo, na formação do cidadão do futuro.

Tão importante quanto o estatuto do aluno talvez fosse a aprovação de um estatuto para os Pais e Encarregados de Educação.

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