quarta-feira, dezembro 12, 2007


O ORGULHO DE SER PORTUGUÊS



Haverá alternativas ao modelo social europeu?

Todos sabemos que a família política do chamado Grupo de Esquerda Unitária, bem como a família de outros eurocépticos da direita foram sempre ferozes inimigos da União Europeia, aliás todos nós temos ainda bem presente a luta que esses grupos extremistas da esquerda e direita travaram à volta da nossa adesão à então CEE, tentando impedi-la por todos os meios.

Para o recordar basta atentarmos nas campanhas anti CEE levadas a cabo quer pelos comunistas do PCP, bem como ferozes intervenções anti-europeiistas de Paulo Portas e de Manuel Monteiro do CDS/PP…

Fantástico! Apesar de todo este eurocepticismo, nunca esta gente deixou de concorrer às eleições europeias, jamais abdicaram dos seus lugares nos Parlamento Europeu, nem das benesses que esses lugares lhes dão em retorno, seja no conforto e bem estar social que daí lhes advém como, sobretudo, no económico.

Hoje, passados mais de 20 anos, perante o sucesso da União Europeia, os dirigentes desses “grupelhos”, sem peso político para modificarem o que quer que seja, modificaram o discurso oficial “anti-Europa”. Mas apesar de moderarem e até inflectirem esse discurso anti-europa, tentam ainda de forma diversificada e mais subtil dar continuidade a esse ódio de estimação, (será nostalgia autocrática?) tentando criar um clima corrosivo de instabilidade política na família Europeia. E para quê? Estranhos desígnios esses! O que pretenderão eles atingir?

Não quero imaginar o que seria a nossa realidade económica e social, nos dias que de hoje, caso não acontecesse a nossa adesão À CEE em 1986. Imaginemos o que seria, ao visualizar-mos os episódios da série “Portugal um Retrato Social” do António Barreto que passou recentemente na RTP1. Seria certamente a imagem pobre e subdesenvolvida de um Portugal orgulhosamente só! Basta imaginar o que seria a nossa realidade socio-económica sem a fundamental ajuda dos nossos parceiros europeus, para o nosso desenvolvimento, até na consolidação da própria democracia.

Não fora a perseverança de um grande político português de nome Mário Soares, e a ajuda fundamental da União Europeia, e Portugal ainda hoje seria um país parecido com aqueles países pertencentes (talvez não tão mau) ao ex-Bloco de Leste desmoronado. Lembram-se daquele muro que se esboroou e deixou ver a crua realidade resultante de uma união artificialmente construída e mantida à força? Esse modelo de desenvolvimento, sim, foi um rotundo falhanço económico, político e social.

Qual é então a alternativa à E.U. que o pseudo importante Grupo de Esquerda Unitária, e os eurocépticos, da direita propõem?

Hoje, em Bruxelas, na véspera da assinatura do Tratado de Lisboa, ocorria no Parlamento Europeu, a cerimónia de proclamação solene da Carta dos Direitos Fundamentais dos cidadãos europeus, pelos presidentes das instituições europeias, José Sócrates (Conselho Europeu em exercício), José Manuel Durão Barroso (Comissão Europeia) e Hans-Gert Poettering (Parlamento Europeu).

Foi muito feio ver durante a cerimónia, deputados do Grupo de Esquerda Unitária - que inclui as delegações portuguesas do PCP e Bloco de Esquerda - interromperem a sessão plenária, antes e durante a intervenção do primeiro-ministro português, (Presidente do Conselho Europeu em exercício) para exigirem a realização de referendos aos Tratado de Lisboa. Foi vergonhosa esta atitude hostil ter precisamente partido destes deputados portugueses

Os eurodeputados daquele grupo político, ao qual se juntaram alguns deputados de outras bancadas, vaiaram o primeiro ministro português, Presidente em exercício do Conselho, no momento em que se preparava para discursar, mostrando faixas a exigir a realização de consultas populares aos gritos de referendo, referendo. Só exigimos referendo quando nos convém não é meus senhores?

Em resposta ao protesto, deste pequeno mas ruidoso grupo de eurocépticos, a maioria esmagadora dos eurodeputados, pertencentes às restantes famílias políticas, aplaudiram de pé o Presidente José Sócrates, que durante a intervenção afirmava: «por mais que muitos gritem, impedindo os outros de falar, esta é uma data fundamental da história europeia».

Pois é senhores, eurocépticos portugueses, hoje pude ver um Portugal respeitado e com voz no Parlamento Europeu, ao contrário de vós, senti com emoção e com muito orgulho ser PORTUGUÊS, mas amanhã, na assinatura do Tratado de Lisboa, nos Jerónimos, seguramente, sentirei mais orgulho ainda!...

Este sentir, tão raro, (e que tão afastado tem andado de nós) é uma espécie de medicamento da “alma”, e é tão bom que nos faz renascer novamente o orgulho DO SER PORTUGUÊS. Pena é que nem todos os portugueses consigam sentir, com ele, qualquer melhora para a cura das suas crónicas maleitas…



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