domingo, dezembro 02, 2007

Os conspiradores de 1640

A Restauração da Independência

= 1 de Dezembro de 1640 =

Ontem, foi feriado em Portugal. Ocorreu mais um aniversário da Restauração da Independência de Portugal.

Tudo começou em finais do séc. XVI. O rei de Portugal era o jovem, sonhador, aventureiro e imaturo como todos os jovens da sua idade de nome próprio Sebastião.

Como todos sabemos, em 1578, D. Sebastião morreu, na sua aventura africana durante a batalha de Alcácer-Quibir, onde os portugueses seriam derrotados sem honra e sem glória e Portugal ficava, assim, “sem rei, nem roque”, pois o jovem rei aventureiro era muito novo e, como tal, ainda não tinha descendência, como também não havia herdeiros directos para a coroa portuguesa. Portugal ficaria sem recursos financeiro, com a sua melhor juventude dizimada na imprevidente batalha. Foi a crise de 1580 talvez a nossa maior de sempre.

Naquele momento de grande crise política, económica, social e de governo, o velho Cardeal D. Henrique, tio-avô do falecido rei, subiria ao trono, mas reinaria apenas durante dois anos porque, além do facto de nem todos estarem de acordo com novo rei, este também já era de provecta idade. Como estas coisas nunca são simples, houve muitos pretendentes e isto ainda iria dar muita confusão... Assim, em 1580, o velho cardeal-rei falecia também, sem ter designado um sucessor, pelo que o familiar mais próximo do trono seria Filipe II de Espanha. Por isso, em 1580, nas Cortes de Tomar, Filipe II, rei de Espanha, era escolhido como o novo rei de Portugal.

A razão para a escolha foi simples, pois Filipe II era filho da infanta D. Isabel e simultaneamente neto do rei português D. Manuel I, por isso tinha todo o direito ao trono apesar da luta movida por António Prior do Crato.

Numa réstia de esperança patriótica os portugueses ainda aclamariam D. António Prior do Crato como rei de Portugal, mas os espanhóis não aceitaram este facto e invadiram o nosso País, defendendo a posição de Filipe II, rei de Espanha, como legítimo sucessor ao trono vencendo definitivamente D. António Prior do Crato na batalha de Alcântara. Os vencedores tomavam definitivamente assento no trono português submetendo-nos a 60 anos de domínio castelhano pelo que a capital do Império deixava de ser Lisboa e passava a ser Madrid.

Portugal seria assim, governado como uma Província espanhola pelos três os reis que se seguiram, (Filipe I, Filipe II e Filipe III), o denominado período de "Domínio Filipino", entre os anos de 1580 e 1640.

Como é natural, os portugueses viviam descontentes e compreendiam que só uma revolução bem organizada lhes poderia trazer a libertação. Assim, no 1º de Dezembro de 1640, um grupo de 40 fidalgos dirigiu-se ao Paço da Ribeira destituíram a Governadora, duquesa de Mântua, regente de Portugal, e o seu secretário, Miguel de Vasconcelos. Nessa revolta bem sucedida a duquesa seria presa e o seu secretário, Miguel de Vasconcelos, morto.

Portugal recuperava a sua independência, era a instauração da casa de Bragança, sendo D. João IV, duque de Bragança, aclamado rei com o cognome de "o Restaurador"que devido aos factos lhe assentou como uma luva.

No entanto para a consolidação nacional da nossa Independência seria mantida a guerra da restauração que durou vinte e oito anos, com a qual foi possível suster as sucessivas tentativas de invasão do exército de Castela e vencê-lo nas mais importantes batalhas, levando os castelhanos a assinar o tratado de paz definitivo em 1668.

É muito importante referir que o nosso sucesso militar só foi possível devido à conjugação de diversas vertentes como a coincidência das revoltas na Catalunha, os esforços diplomáticos da Inglaterra, França, Holanda e Roma, a reorganização do exército português, a reconstrução de fortalezas e a consolidação política e administrativa.

Paralelamente, as tropas portuguesas conseguiriam expulsar os holandeses do Brasil, como também de Angola e de São Tomé e Príncipe restabelecendo o poder atlântico português. No entanto, as perdas no Oriente tornaram-se irreversíveis bem como das praças africana das quais, Ceuta ficaria definitivamente na posse dos Castelhanos.

O primeiro de Dezembro é uma efeméride marcante, de grande significado patriótico e de afirmação da portugalidade. É lamentável que seja apenas lembrada como feriado e não o significado que deveria ter.

“Há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não"...!

Manuel Alegre


Monumento aos Restauradores – Lisboa


1 Comments:

Blogger Vitório Rosário Cardoso said...

Que importância tem esta data no dias de hoje?

dezembro 03, 2007 12:15 da manhã  

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