segunda-feira, dezembro 04, 2006

Por ocasião das Comemorações do Dia Mundial da luta contra a SIDA, a OMS admite fracasso no seu combate



Segundo a BBC, o director do departamento de HIV/SIDA da OMS (Organização Mundial da Saúde), Jim Yong-Kim, pediu desculpas por não conseguir cumprir a meta mundial para o tratamento da doença.

O objectivo era conseguir com que 3 milhões de pessoas em países em desenvolvimento recebessem antiretrovirais até o fim de 2005, mas ele admitiu que a meta não será alcançada.

"Tudo o que podemos fazer é pedir desculpas", disse Yong-Kim em entrevista à BBC. "Eu acho que temos de admitir que não fizemos o suficiente e que começamos a lidar com o problema muito tarde."

Quando a OMS anunciou em 2003 a meta "três até cinco", para fornecer drogas contra a SIDA a 3 milhões de pessoas no mundo em desenvolvimento até 2005, ela sabia que seria difícil cumprir a promessa.

Em Junho, o órgão já havia anunciado que apenas 1 milhão de pessoas estavam recebendo o tratamento, mas o número exacto de quantos pacientes que passaram a ter acesso ao medicamento necessário até o final de 2005 só vai ser conhecido no começo do próximo ano.

O director afirmou, no entanto, que apesar de não cumprir a meta, o programa não pode ser considerado um fracasso.

"Há poucos anos não havia hipótese de salvar vidas", disse ele.

"Muitos líderes no mundo estavam com a ideia de que era necessário esquecer essa geração de pessoas infectadas com o vírus e pensar na próxima geração. Então fizemos alguma coisa para mudar isso."

Apesar de não serem uma cura para a doença, os antiretrovirais bloqueiam a capacidade do vírus de se multiplicar e podem retardar o início da doença, ao tornar o ataque ao sistema imunológico mais lento. No entanto, estimativas optimistas referem que apenas um em cada dez africanos e um em cada sete asiáticos têm acesso aos medicamentos necessários.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU) divulgados na semana passada, mais de 40 milhões de pessoas estão infectadas com o vírus HIV no mundo todo.

Ainda segundo a BBC, a SIDA está tendo um impacto crescente na força de trabalho no mundo e levando a uma redução no crescimento económico especialmente nos países mais afectados pela doença, de acordo com relatório divulgado na última sexta-feira, Dia Mundial da SIDA, pela Organização Internacional do Trabalho, a OIT.

"Os 43 países mais gravemente afectados pelo vírus HIV e pela SIDA perderam em média 0,5% da sua taxa de crescimento económico anual entre 1992 e 2004 por causa da epidemia e, como resultado, deixou de haver um crescimento de 0,3% de vagas de emprego", disse o documento.

Entre essas nações, "31 países da África Subsaariana perderam 0,7% em média de sua taxa anual de crescimento económico", e uma percentagem de 0,5% de empregos não foram criados.

Com isso, 1,3 milhão de novos empregos deixaram de ser gerados anualmente
entre 1992 e 2004 - 1,1 milhão deles, na África Subsaariana. A incidência de HIV/SIDA "é responsável por um elevado esforço económico aos países que lutam para sair da pobreza", disse Odile Frank, uma das autoras do relatório.

A OIT estima que a perda acumulada da força de trabalho por causa de HIV/SIDA, que ficou em cerca de 28 milhões de pessoas em 2005, pode chegar a 45 milhões em 2010 e 86 milhões, em 2020.

O relatório da organização demonstra, contudo, que o aumento do acesso a tratamento com drogas antiretrovirais pode ter um impacto significativo na erosão da força de trabalho. Ele mostra que a perda de 17,3 milhões de pessoas na força de trabalho prevista para o período entre 2005 e 2010 em todo o mundo, pelo menos 14% pode ser evitada caso se dê acesso amplo a esse tipo de tratamento.

A organização pediu medidas sustentáveis para aumentar o acesso a tratamentos com antiretrovirais para reduzir as taxas de mortalidade.


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