quinta-feira, janeiro 04, 2007

A BARBÁRIE TERRORISTA DA ETA ATACA DE NOVO

Após o atentado do passado dia 30 de Dezembro, em Madrid, Zapatero quis tornar claro que, não há condições para continuar o processo de paz no País Basco, pois estava fundado no diálogo e não na intimidação.

O próprio Batasuna, reconheceu ontem que “ninguém esperava” um atentado tão violento contra o Aeroporto de Barajas, mas considerou que o processo de paz “não está liquidado” e apelou à abertura de um diálogo “baseado na confiança”.

O ataque do passado sábado “não ajudou o processo de paz”. “Ninguém esperava um ataque como o de Madrid”, afirmava um alto dirigente da ETA lembrando que, por isso, organização não emitiu qualquer comunicado a decretar o fim do cessar-fogo.

Entendo que as novas actividades da ETA representam uma dura prova política para qualquer governo espanhol. No entanto quem governa é que tem que resolver o problema.

Presume-se que a luta contra a barbárie terrorista exige um difícil equilíbrio entre o uso da força legítima e da repressão (polícia, tribunais, serviços de informações, cooperação transfronteiriça e outras) e a utilização de armas de acção política que isolem os terroristas e permitam criar um horizonte de estabilização pacificada.

A ETA é uma organização terrorista dividida em facções, que por facilidade de expressão se designam por "radicais" e "partidários da negociação". Nos últimos meses, nesta organização, a relação de forças interna orientou-se no sentido da perda de influência dos partidários da negociação, que haviam estado na base do denominado "cessar-fogo permanente" e com a ascensão, da corrente radical que se alimenta da agitação de rua que provoca o caos, a desordem e a destruição próxima da actividade delinquente pura. Esta ascensão acabou por destronar a posição dos "moderados" e abrir espaço para a retoma dos actos terroristas, “mandando às malvas” a trégua criada já em Março de 2005 que promoveu o até agora "cessar-fogo permanente".

Duramente criticado pela oposição conservadora por sua reacção tardia e por ter visitado o local do atentado somente cinco dias após as explosões, o Governo espanhol mais cedo ou mais tarde vai ter que chamar novamente os moderados e tentar reconstruir com eles o consenso político para enfrentar nos próximos tempos, que vão ser particularmente duros, numa tentativa de aproveitar esta desilusão para isolar ainda mais os radicais e promover novamente na anterior solução política que deu os seus frutos, mas que desta vez possa garantir uma paz douradora que frutifique para o bem dos Bascos e de toda sociedade espanhola.

Apesar do enorme repúdio e da emoção que anima o nosso sentido de retaliação e vingança, a única via é o diálogo político e o entendimento civilizado das partes, ditada pela Civilização Ocidental Moderna e Democrática. Na actualidade não pode haver mais lugar à barbárie irracional numa tentativa de implantar a lei de talião: “olho por olho, dente por dente”, como infelizmente demonstraram os tristes e recentes acontecimentos ligados à desnecessária execução do antigo presidente iraquiano.

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