sábado, novembro 11, 2006

Referendo sobre a IVG

Interromper ou não interromper uma gravidez é um puro acto de consciência que apenas diz respeito a quem reflectidamente deve tomar a decisão certa. Assim sendo, quem somos nós para julgar socialmente as decisões de outros?

Tenho tudo para acreditar que não haverá uma única pessoa à face da Terra que seja a favor do aborto!... É de referir que importa esclarecer nesta matéria, que a IVG não é um método contraceptivo. Neste enunciado princípio teremos acima de tudo que informar mais e melhor os cidadãos sobre todos os métodos contraceptivos existentes, estes sim, utilizados preventivamente.

A questão sobre a IVG deve assim ser complementada, com uma ampla informação como também sobre as consequências pós-aborto.

Obviamente que ao tomar-se esta dolorosa decisão deve ser entendido que tudo mais já falhou anteriormente e que nada mais resta para solucionar o problema, a não ser mesmo essa!

O debate sobre a IVG não deve, por isso, centrar-se na questão moral, pertencendo antes à reserva de consciência da cada cidadão, isto é; cada cidadão deve decidir na prática, e até em abstracto sobre a matéria em questão.

Apesar das pessoas poderem ser contra esta prática, a verdade é que ela existe, sendo que em Portugal se praticam, anualmente, milhares de abortos clandestinos, nem todos praticados nas melhores condições; estando provado que uma significativa fatia de cidadãs endinheiradas passam por Espanha e até pela Inglaterra, para realizar a sua IVG nas melhores condições de segurança.

O Referendo é uma das formas de democracia directa, regulada directamente pelo artigo 115º da nossa Constituição sendo, em minha opinião, inadmissível que a participação nos dois referendos anteriores tenha sido tão baixa...

Como já atrás referi, não há, seguramente, à face do planeta uma única mulher ou casal que sejam favoráveis à IVG.

Por tudo isto, e enquanto cidadão, apelo a que se pense no momento de decidir: e se me acontecesse a mim? O que eu faria nas mesmas circunstâncias? Quem decidiu praticá-lo só pode ter sido em desespero de causa… Não lhe bastará já a dor da violenta tomada de decisão? Deverá ainda cumulativamente expor à sociedade o seu acto e expiá-lo publicamente durante vários anos de prisão? Neste caso será que esta atitude de condenação social algum vez resolveu o problema? Quem somos nós para julgar os outros?

Ao votar sim, o cidadão não está a obrigar ninguém a abortar nem a fazer a apologia do aborto, está apenas a dar o direito à escolha. A questão da IVG é acima de tudo uma questão de consciência pessoal... Entendo que cada cidadão deve ir entregar o seu voto, por ser cidadão e nunca por ter uma preferência partidária ou religiosa. A questão política/religiosa é para ser posta de lado, nada mais há a referendar além da questão da liberdade de consciência que é uma questão de bem-estar e paz social e de verdadeira cidadania.

3 Comments:

Anonymous Livre consciência said...

Parabéns!...Excelente artigo.
Subscrevo incondicionalmente.
Ninguém deve ficar em casa...

novembro 11, 2006 11:57 da tarde  
Anonymous Viva a liberdade said...

Notável post que o sr. deveria divulgar na imprensa...
Ora aí está um assunto em que cada um de nós deve ter por direito próprio a liberdade de decidir por si sem impostas falsas morais.
Todos ao referendo.

novembro 12, 2006 12:03 da manhã  
Anonymous Anónimo said...

Muito bom artigo. Parabéns!
Há coisas que são íntimas e só a nós e à nossa consciência dizem respeito.
Abaixo a hipocrisia política e religiosa.
Que moralidade tem essa gente? Basta atentar nos actos de pedofilia cometidos por padres católicos, cometidos sobre as crianças da catequese, um pouco por todo o mundo.

Referendar sim

novembro 12, 2006 1:41 da manhã  

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