segunda-feira, outubro 05, 2009


O Centenário da Implantação da República


As revoluções acontecem sempre que as circunstâncias históricas o determinam.

No início do século passado um imobilismo total pesava sobre Portugal.

A Nação portuguesa dividia-se em duas grandes classes: a dos que sabiam ler e ocupavam cargos públicos ou exerciam profissões liberais, e que constituíam uma esmagadora minoria; e a grande massa de analfabetos que trabalhava nos campos e em ofícios vários.

Em 1891 a situação era tal que, no Parlamento, o deputado José Bento Ferreira de Almeida propôs a venda de Moçambique como forma de tapar os buracos do Tesouro.

Portugal era um país em crise. Dizia-se que a nação era monárquica porque, todos os dias, fosse nas igrejas ou nas casas portuguesas, se rezava pelo rei. Mas a realidade é que a monarquia já deixara de ser modelo do regime indiscutível para se transformar num alvo de contestação.

As diferenças sociais eram brutais e injustas. O País era analfabeto. Os cofres do Estado estavam vazios.

O Movimento Revolucionário Republicano, Cândido dos Reis, Miguel Bombarda, entre outros, teve uma gestação conturbada e um parto difícil mas triunfou. Por isso, faz hoje, dia 5 de Outubro, 99 anos que, da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa, José Relvas proclamava a implantação da República e anunciava os nomes que constituíam o governo provisório


Presidente – Teófilo Braga

Interior – António José de Almeida

Justiça – Afonso Costa

Finanças – Basílio Teles

Guerra – Coronel Correia Barreto

Marinha – Comandante Azevedo Gomes

Obras Públicas – António Luis Gomes

Estrangeiros – Bernardino Machado


Como podemos constatar, um dos seus mais eméritos ministros, o da Justiça, era natural do concelho de Seia. Apesar da polémica em torno do seu anti clericalismo, foi um estadista de enorme dimensão e carácter, tendo sido Presidente da Sociedade das Nações, o equivalente às actuais Nações Unidas (ONU).

É a este homem, que foi o maior estadista senense de sempre, a quem Seia continua devedora de uma justa e merecida homenagem...

Assim sendo, que melhor oportunidade haverá que não esta, que ocorre por ocasião das comemorações do centenário da implantação da República?


Apostilha: no que concerne à dimensão, incontornável, desta personalidade senense aconselha-se uma leitura atenta da "Monografia do concelho de Seia", de autoria do antigo Reitor de Seia, e meu amigo, Dr. Quelhas Bigotte, também ele um notável senense.




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